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terça-feira, 10 de dezembro de 2019

De Chaitén para Hornopirén.

Hoje o dia foi tranquilo! Avançamos cerca de 500 Km e dirigi somente 70 Km. O tempo foi para navegar. O dia estava nublado. Em dias como o de hoje a paisagem é linda para quem está dentro dela, mas para fotos não é nada favorável.
O mais importante foi a assembléia geral realizada no momento da navegação, de cuja votação unânime resultou a deliberação de que antes de voltar vamos fazer um passeio na Ilha de Chiloé. Amanhã sairemos cedo, fazendo, ao final da Carretera, um contorno o último fiorde da Carretera e de Puertos Varas, então pela Ruta 5, iremos até Castro. Dependemos, claro, da balsa entre Pargua e Chacao. Amanhã conto o resultado.
Como referi, não foi um dia para fotos. De qualquer forma, algumas sempre restam. Como nesta região os pássaros são a atração principal, tentei registrar alguns momentos deles e misturar com algumas poucas de paisagem. Vejamos!














segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Coyhaique, Puyuhuapi e Chaiten.

Nos últimos dias o tempo (apesar de anoitecer muito tarde) a intensidade das atividades e as cervejas, vinhos e piscos, me impediram de contar diariamente, como gosto de fazer.
Ainda em Rio Tranquilo, no dia seguinte, por volta de 9,00 horas fomos fazer a navegação pelo Lago que nos levou à Catedral e à Capela de Mármore. Novamente me deslumbrei com o lugar, embora já tenha estado lá ano passado. Claro que na primeira vez a luz que tivemos foi a do final da tarde e agora foi pela manhã, o que muda muito a percepção.
Ainda tivemos tempo de visitar um glaciar, dois lagos e uma cachoeira nas proximidades de Puerto Rio Tranquilo.
Por volta de meio-dia seguimos viagem na direção de Coyhaique. Uma das melhores cidades na Carretera Austral. No trajeto entramos para conhecer Puerto Ibañez.
Ficamos em um hotel novíssimo, e que muito recomendo, chamado Entre Cumbres. De um bom gosto impressionante e com apartamentos muito bem equipados. Eu gostaria de ter ficado muito mais tempo na cidade. O problema foi que chegamos no sábado, já na parte da tarde e no final de semana tudo fica fechado e a cidade muito vazia. De qualquer forma, curtimos muito o tempo em que lá estivemos. Jantamos em um restaurante chamado Da Gos. Como está sendo a marca desta viagem, tomei uma cerveja local excepcional. Fabricada por belgas que residem na região. 
No domingo saímos cedo para conhecer Puerto Aysen em direção a La Junta. Paramos para muitas fotos. Tínhamos com objetivo maior neste trajeto conhecer o famoso Ventisquero Colgante. Bem na entrada para o parque tem um café. Nesta parada encontramos novamente os viajantes de moto que havíamos encontrado no trajeto entre Bragado e Neuquén e que referi anteriormente. Comemos algo por ali, aproveitando uma conversa muito aprazível e com muitas dicas recíprocas para o trajeto futuro, já que eles desciam a 7 e nós subíamos. Nesse mesmo trajeto, pouco antes, encontramos um casal de Ingleses que mandaram a moto para Buenos Aires, desceram ao Ushuaia e estão subindo rumo ao Alasca. Em razão da demora nas conversas e nas visitas aos pontos de interesse, resolvemos ficar em Puyuhuapi. Um vilarejo interessante. Fomos jantar em restaurante muito simples, mas com uma comida excelente e com cerveja local digna de nota. O ponto alto do jantar foi encontrar um brasileiro que estava viajando sozinho. Aluguou um carro em Puerto Mont e foi até Coyhaique, desistindo do resto de viagem pela Carretera em virtude do trecho de rípio que teria pela frente. Experiente em viagens e em vida, nos encantou com seus relatos e suas considerações. Só não coloco o nome aqui porque não pedi autorização, mas foi uma companhia e tanto na noite de ontem.
Hoje pela manhã seguimos para Chaitén, onde, finalmente, encontrei um cabana com um wi-fi descente. Aliás, o grande problema desta região é a condição de conexão com wi-fi, mas está aos poucos melhorando.
A propósito disso, iniciando algumas considerações gerais, lembro de ter dito, em algum momento na viagem de moto pela mesma Carretera, que a Argentina estava muito à frente do Chile, na região da Patagônia. Hoje, talvez o quadro não tenha invertido, mas a verdade é que o Chile melhorou muito. As pessoas estão mais preparadas e é possível encontrar pousadas e cafés, com produtos excelentes, em pontos antes impensáveis. De outro lado, diferente do que sempre ocorreu e que esperava encontrar, o Chile está muito mais barato que a Argentina, inclusive no que se refere ao combustível. Aliás, o combustível na Argentina está mais caro que no Brasil. Fui mesmo uma surpresa.  
Como é insistentemente dito por todos aqueles que viajam pela Patagônia, aqui tudo é muito grande, muito forte e muito intenso. Para mim as duas grandezas que mais impressionam é o vento e o silêncio. Pode parecer contraditório, já que o vento faz barulho notável. Mas quando o vento cessa ou a encontramos um bom abrigo, o silêncio se agiganta e encanta. Penso que alguém que tenha nascido ou que esteja há muito tempo por aqui tenha dificuldade de viver em outro lugar. É um luxo e um conforto que só experimentando para saber.
Por fim, comento que penso que está tenha a viagem mais conversada de todas que eu já fiz. Me dediquei a isso. Um café nunca foi só um café, foi um pretexto para uma "charla" de pelo menos meia hora. Segui a risca o ditado sobre tempo e pressa nestes rincões.
O maior trecho de terra nesta rota bimodal concluímos hoje. A partir de amanhã o trajeto maior será em barcaças. Estamos a dois dias de concluir a Carretera Austral e realizar mais sonho.
Sem qualquer pretensão de dar uma pálida ideia do que vimos, seguem algumas fotos (aproveitando a internet).
























sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

De Los Antiguos a Caleta Tortel de Caleta Tortel a Rio Tranquilo.

Estou atrasado com as publicação porque ontem fiquei sem nenhuma forma da comunicação. Explico mais adiante.
Ontem saímos de Los Antiguos e fizemos a passagem fronteiriço no Paso Jenimeni, entrando no Chile, então pela cidade de Chile Chico. A cidade é uma graça e gastamos algum tempo aí. Primeiro fui fazer câmbio para ter um pouco de moeda chilena para atender as primeiras despesas na nova rota. Depois um bom café espresso, compramos algumas frutas, já que deixamos o que tínhamos no hotel na Argentina (Não se pode entrar com frutas de outros lugares no Chile, por razões óbvias). 
Como não tínhamos a ideia das condições da estrada (nosso primeiro trecho de estrada de terra) e do tempo de imigração, marcamos como meta a cidade Cochrane, nosso primeiro lugar na Carretera Austral. 
A estrada estava muito boa e a imigração se deu em prazo razoável. O que nos atrasou a viagem foi a paisagem. O deslumbramento faz com que a gente queira reter na máquina fotográfica toda a potência das imagens que desfilam na nossa frente. Racionalmente a gente sabe que é impossível, mas a ânsia em poder mostrar para os nossos (amigos e familiares) a sensação que estamos sentindo, nos faz perder a razão. As fotos são emoções frustradas, mas ainda assim deslumbram. Esse delay é que nos surpreende depois, porque sentimos olhos brilhando diante de uma foto que representou deficientemente nossa percepção. Sabemos, mas insistimos. Foram muitas fotos.
Paramos um pouco também em Malin Grande, no mercado Os Pioneiros para comprar um queijo muito especial que comemos na viagem anterior. Levamos com coringa para algum eventual perrengue na estrada.
Apesar de todos os detalhes acima, chegamos cedo a Cochrane. Resolvemos seguir, então até Caleta Tortel. Uma cidade interessante, conectada com o Oceano Pacífico por um lago/estuário formado por, entre outros, os Rios Backer e Bravo. Mas a característica mais importante é que se trata de uma cidade sem ruas. Há, na chegada, uma grande rótula, que circunda uma pequena praça. A partir daí todos os caminhos são feitos sobre passarelas e as casas são todas de madeira construídas sobre pilotis também de madeira. Lá fiquei sem sinal de telefone e, como é de se supor, sem qualquer sinal de wi-fi. Enfim, foi um tempo totalmente desconectado. 
São 8 km de passarelas e dos quais caminhamos sobre elas cerca de 10 Km (considerando ida e vinda. Jantamos no restaurante El Mirador. Uma vista privilegiada, uma comida muito boa e uma cerveja artesanal (da casa) excepcional. 
Aliás, abro parêntese para comentar que saí de casa pensando nos vinhos que tomaria, mas as cervejas artesanais desta região do mundo estão roubando a cena. Hoje foi o primeiro dia que tomei um vinho digno de registro.
Em razão de horários de balsa e das condições da estrada a partir daí, resolvemos começar desse ponto nosso recorrido pela Carretera Austral. 
Visitando vários lugares e andando (entrando em cada recanto de interesse ao longo da estrada), chegamos hoje a Puerto Rio Tranquilo. Nos hospedamos na disputada cabaña do Juan Aldea e marcamos para amanhã o passeio às Catedral e  Capilla de Marmol. 
Hoje caminhamos um pouco pela cidade, tomamos um sorvete, curtimos a paisagem do Lago e fomos jantar em um restaurante excelente. Comemos um cordeiro maravilhos, tomamos o bom vinho de que falei e comemos um arroz de leite divino. 
Os dois dias merecem(riam) melhor descrição, mas hoje o sinal de internet não é dos melhores e nem tenho certeza que vou conseguir esta publicação. 
Tentei publicar algumas fotos, mas foi impossível. Faço quando possível.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

De Esquel para Los Antiguos!

Hoje saímos ainda mais tarde do que ontem. O café somente é servido a partir de 8,00 horas. Como o trecho era bem mais curto, apenas 640 Km até Los Antiguos, não nos apressamos. Após abastecer, a saída efetiva de Esquel foi por volta de 9,00 horas. 
A paisagem da viagem ficou por parte da imagem da cordilheira. Em Esquel estávamos logo ao lado dela. No entanto, em razão da pavimentação e talvez por questões políticas, a Ruta 40 foi deslocada mais para o centro do país. A 40 atual nada tem com aquela que o Paulo Cezar e eu fizemos em 2011.  Agora está totalmente asfaltada neste trecho e o traçado é completamente outro. A Cordilheira fica bem mais longe. No entanto, nos lugares que aparece sempre é aquele espetáculo. 
Mesmo que tivéssemos sido brindados com um dia claro e com sol radiante, com a ajuda do branco gelo, destacando as cores e as linhas da montanha, a chegada em Los Antiguos superou com folga a paisagem da manhã. 
Los Antiguos é o local para onde os índios traziam as pessoas idosas quando se aproximava o momento de morrer. Em razão da beleza do local eles acreditavam que os deuses moravam aqui. Os idosos, então, tinham o direito de desfrutar da beleza do local e ficar mais perto dos deuses. Eis a razão nome, segundo, ao menos, uma das versões possíveis. Não tenho certeza sobre isso, mas tenho certeza de que a beleza do local causa um impacto indescritível. 
Fizemos uma caminhada de 10 Km logo que chegamos e aproveitamos para conhecer um pouco melhor a cidade. Este era um dos objetivos da viagem. Agora vamos partir para a segunda etapa: amanhã entraremos efetivamente na Carretera Austral. Esse assunto será para os próximos dias.











terça-feira, 3 de dezembro de 2019

De Neuquén a Esquel

Hoje o dia foi bem mais relax! Somente cerca de 760 km para cumprir, saímos quase 8,00 da manhã de Neuqén, Uma viagem excepcional! 
Primeiro porque eu nunca tinha passado na Patagônia na primavera. Estive por aqui no forte do verão, no outono e no inverno. A primavera, no entanto, é a estação mais bonita por aqui. Especialmente na rota de hoje. No inverno o branco e o cinza predominam na paisagem. No forte do verão o verde prepondera. No outono o verde do verão perde a cor. Agora na primavera as montanhas com seus tons cinza escuro, enfeitadas com o branco da neve nos cumes, ficam emolduradas por flores amarelas que se ressaltam entre outras roxas e cor de rosa, vindo algumas vezes algumas margaridas bem pequenas emprestar a mais fina delicadeza e dar o toque final no embelezamento da paisagem. Os lagos colaboram tomando um tom de azul inesquecível. Inevitável que o número de paradas tenha sido expressivo.
Em uma das paradas, casualmente encontramos um grupo de amigos brasileiros que estão indo ao Ushuaia pilotando motonetas (lambrettas e vespas) antigas. Uma maravilha de encontro. Um longo papo que só findou quando lembramos que ainda tínhamos muito chão pela frente até o final do dia. Aliás, são desses encontros que não terminam, somente ficam suspensos até daqui alguns dias.
Incontornável também foi fazer a tradicional parada em El Bolson. Pena que ter que dirigir impediu de tomar uma maravilhosa cerveja artesanal. Essa cidade deve ser a capital mundial da cerveja artesanal, não só pela quantidade, mas também pela qualidade.
Chegamos em Esquel no final da tarde, embora nesta época aqui a tarde não tenha fim. A noite é que fica clara até mais tarde. Esta vez nem foi preciso procurar hotel. Cheguei direto para o SurSur que foi o hotel no qual ficamos na viagem do ano passado. É um hotel simpático, agradável e confortável. O proprietário viaja de moto pelo mundo e esposa, que o acompanha, é mesmo uma simpatia. Pena que este ano ele não esteja aqui para contar suas histórias de viagem. Está viajando para Buenos Aires. De qualquer forma, está sendo um prazer estar aqui novamente.
Hoje o jantar foi um cordeiro com purê acompanhado de uma excelente IPA também artesanal e local. Depois um sorvete e voltar ao hotel para rever a organização da bagagem porque o frio já nos alcançou. Nada muito forte, mas já não é possível sair no final da tarde sem um abrigo.
Amanhã o trajeto será menor ainda, não passará de 630 Km. Vamos para Los Antiguos e no dia seguinte estaremos na Carretera Austral.
Vou tentar publicar algumas fotos.






segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

De Uruguaina para Bragado e de Bragado para Neuquén

Depois da última publicação saímos do hotel para jantar. Encontramos na internet a sugestão de vários restaurantes, mas pela descrição preferimos experimentar o "De La Deni". Ficamos encantados com o que encontramos. Nada sofisticado demais, porém com muito bom gosto. Comi um Bife de Chorizo que estava sensacional. No ponto em todos os sentidos!
Saímos cedo no dia seguinte de Uruguaiana para enfrentar a imigração no território argentino. Acho que foi um dos últimos posto de fronteira a ser atualizado (o de Paso de Los Libres) e guardávamos a ideia de como funcionava anteriormente. Fomos surpreendidos pelo fato de que tudo correu de forma exemplar e em prazo inacreditável. Isso adiantou a nossa viagem. Pensávamos que o nosso objetivo do dia seria Lujan, mas sobrou tempo e chegamos a Bragado a tempo de tomar um sol no lago da cidade e de dar uma volta próximo do hotel.  Cidade simpática!
Jantamos no restaurante do hotel, chamado Olivo. Muito bom! Comida excelente e muito bem atendido.
No caminho entre Uruguaiana e Bragado a paisagem já conhecida mas sempre aprazível da Argentina naquela região. Grande estâncias com campos de um verde intenso e muito bem povoados de gado, É bem comum encontrar algum ginete em trabalho de doma ou mesmo de manejo do gado.
Quando passamos Zarate e Lujan, entrando na RN5 a paisagem mudou radicalmente e encontramos grandes extensões de trigo ainda não colhido. Trigo do tarde. Mito tarde! Também impressionou a extensão das plantações de milho. 
Hoje, entra Bragado e Neuquén, passamos por uma das regiões mais pujantes já que seguiram as enormes plantações, mas estas dividiram espaço com criação de gado leiteiro. Eu nunca tinha visto tantos animais reunidos. Fantástico!
Passamos o Rio Colorado para entrar na Província de Rio Negro,  já passavam das 5 horas. Hoje foi o dia de tocada de mais de novecentos quilômetros, em pista única, mas talvez o trecho mais relax até agora. 
Paramos em um posto para fazer um lanche e encontramos dois casais de brasileiros e um uruguaio descendo a mesma ruta de moto para passear também na Carretera Austral. Conversamos um pouco e nos despedimos. Quando estava eu estava saindo do hotel para comprar algo próximo, encontrei um dos pilotos. Eles estão parando no mesmo hotel. O interessante é que estive neste hotel ano passado porque eu tinha que fazer a revisão da moto na oficina da BMW e escolhi, então, o hotel mais próximo da agência (menos de duas quadras). Agora como estava gravado no GPS o endereço vim direto para ele. Já com eles o que aconteceu é que terão fazer um reparo em uma das motos e marcaram com a oficina e reservaram o hotel sem saber a distância que estavam da referida oficina. O maior acaso.
No final da tarde fizemos um passeio pelo centro de Neuquén e depois fomos jantar em outro restaurante porque o El Mercado estava fechado em razão de ser o dia de folga coletiva. Valeu o jantar e o vinho.
Amanhã rumaremos cedo para Esquel. Esta etapa da viagem é somente uma passagem para o objetivo, Carretera Austral, já que os lugares em rota já conhecemos.
Amanhã conto (ou tento contar) mais.
Abraços e beijos.