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quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

De Hornopirén a Castro.

Depois da acertada decisão da assembléia geral, sobre a qual falei anteriormente, e sob a influência de um bom pisco sour e, ainda, considerando a beleza do hotel que encontramos em Castro, Capital da Ilha de Chiloé, decidimos ampliar o prazo de estada por aqui. 
Ontem jantamos no hotel e provamos (comemos mesmo!), a aprovamos, um prato famoso da ilha que se chama Curanto (foto abaixo). Um experiência gastronômica para ficar registrada na memória para sempre. Trata-se de um mix de mariscos (nunca vi tantas conchas diferentes) com um tipos de embutidos de porco e pedaços de frango. Tudo é cozido sobre pedras quentes e cobertos por um enorme quantidade de palhas. É um prato simplesmente fantástico e muito diferente. 
Com mais tempo fomos até Quellón o último ponto ao sul da Ilha Grande de Chiloé e onde termina ou começa da Rodovia Panamericana que liga o Chile ao Alasca, cruzando 12 países, e tem a extensão de 22.000 Km. 
Almoçamos em um restaurante típico da região e pela primeira vez comemos Congrio em posta e feito em caldo. Realmente muito bom. Aliás, o aroma do restaurante, que tinha a cozinha aberta bem no meio do salão, indicava de pronto o que viria a ser o sabor dos pratos.
Um dos orgulhos dos Chilotes são as suas igrejas (pequenas igrejas), que possuem uma técnica particular de construção que rendeu o reconhecimento da Unesco e elegeu 16, das mais de 70 existentes, Patrimônio da Humanidade. Além de constituirem uma escola própria de arquitetura, estão entre as poucas construções em madeira do século XVII.  Há um importante segmento turístico envolvendo a visitação da Rota das Igrejas. Não fizemos a rota, mas passamos por algumas delas e registramos essas visitas ocasionais.
Atingimos hoje o ponto mais distante ao oeste da viagem. O ponto mais afastado ao sul foi Caleta Tortel. 
Jantaremos novamente no hotel e amanhã começarmos o retorno. Agora será como na vinda. Aproveitaremos ao máximo o tempo de deslocamento, já que todo o trajeto é por demais conhecido. 
Narcísio e Dirlei, vários são os momentos que sentimos saudade daquela viagem de algum tempo atrás, quando singrávamos mares até então não navegados. 
Quando der tempo farei comentários sobre impressões e situações vivenciadas nestes dias. 
As últimas fotos publicadas hoje fazem parte de uma série que chamei de "Janelas para a Patagônia".


















terça-feira, 10 de dezembro de 2019

De Chaitén para Hornopirén.

Hoje o dia foi tranquilo! Avançamos cerca de 500 Km e dirigi somente 70 Km. O tempo foi para navegar. O dia estava nublado. Em dias como o de hoje a paisagem é linda para quem está dentro dela, mas para fotos não é nada favorável.
O mais importante foi a assembléia geral realizada no momento da navegação, de cuja votação unânime resultou a deliberação de que antes de voltar vamos fazer um passeio na Ilha de Chiloé. Amanhã sairemos cedo, fazendo, ao final da Carretera, um contorno o último fiorde da Carretera e de Puertos Varas, então pela Ruta 5, iremos até Castro. Dependemos, claro, da balsa entre Pargua e Chacao. Amanhã conto o resultado.
Como referi, não foi um dia para fotos. De qualquer forma, algumas sempre restam. Como nesta região os pássaros são a atração principal, tentei registrar alguns momentos deles e misturar com algumas poucas de paisagem. Vejamos!














segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Coyhaique, Puyuhuapi e Chaiten.

Nos últimos dias o tempo (apesar de anoitecer muito tarde) a intensidade das atividades e as cervejas, vinhos e piscos, me impediram de contar diariamente, como gosto de fazer.
Ainda em Rio Tranquilo, no dia seguinte, por volta de 9,00 horas fomos fazer a navegação pelo Lago que nos levou à Catedral e à Capela de Mármore. Novamente me deslumbrei com o lugar, embora já tenha estado lá ano passado. Claro que na primeira vez a luz que tivemos foi a do final da tarde e agora foi pela manhã, o que muda muito a percepção.
Ainda tivemos tempo de visitar um glaciar, dois lagos e uma cachoeira nas proximidades de Puerto Rio Tranquilo.
Por volta de meio-dia seguimos viagem na direção de Coyhaique. Uma das melhores cidades na Carretera Austral. No trajeto entramos para conhecer Puerto Ibañez.
Ficamos em um hotel novíssimo, e que muito recomendo, chamado Entre Cumbres. De um bom gosto impressionante e com apartamentos muito bem equipados. Eu gostaria de ter ficado muito mais tempo na cidade. O problema foi que chegamos no sábado, já na parte da tarde e no final de semana tudo fica fechado e a cidade muito vazia. De qualquer forma, curtimos muito o tempo em que lá estivemos. Jantamos em um restaurante chamado Da Gos. Como está sendo a marca desta viagem, tomei uma cerveja local excepcional. Fabricada por belgas que residem na região. 
No domingo saímos cedo para conhecer Puerto Aysen em direção a La Junta. Paramos para muitas fotos. Tínhamos com objetivo maior neste trajeto conhecer o famoso Ventisquero Colgante. Bem na entrada para o parque tem um café. Nesta parada encontramos novamente os viajantes de moto que havíamos encontrado no trajeto entre Bragado e Neuquén e que referi anteriormente. Comemos algo por ali, aproveitando uma conversa muito aprazível e com muitas dicas recíprocas para o trajeto futuro, já que eles desciam a 7 e nós subíamos. Nesse mesmo trajeto, pouco antes, encontramos um casal de Ingleses que mandaram a moto para Buenos Aires, desceram ao Ushuaia e estão subindo rumo ao Alasca. Em razão da demora nas conversas e nas visitas aos pontos de interesse, resolvemos ficar em Puyuhuapi. Um vilarejo interessante. Fomos jantar em restaurante muito simples, mas com uma comida excelente e com cerveja local digna de nota. O ponto alto do jantar foi encontrar um brasileiro que estava viajando sozinho. Aluguou um carro em Puerto Mont e foi até Coyhaique, desistindo do resto de viagem pela Carretera em virtude do trecho de rípio que teria pela frente. Experiente em viagens e em vida, nos encantou com seus relatos e suas considerações. Só não coloco o nome aqui porque não pedi autorização, mas foi uma companhia e tanto na noite de ontem.
Hoje pela manhã seguimos para Chaitén, onde, finalmente, encontrei um cabana com um wi-fi descente. Aliás, o grande problema desta região é a condição de conexão com wi-fi, mas está aos poucos melhorando.
A propósito disso, iniciando algumas considerações gerais, lembro de ter dito, em algum momento na viagem de moto pela mesma Carretera, que a Argentina estava muito à frente do Chile, na região da Patagônia. Hoje, talvez o quadro não tenha invertido, mas a verdade é que o Chile melhorou muito. As pessoas estão mais preparadas e é possível encontrar pousadas e cafés, com produtos excelentes, em pontos antes impensáveis. De outro lado, diferente do que sempre ocorreu e que esperava encontrar, o Chile está muito mais barato que a Argentina, inclusive no que se refere ao combustível. Aliás, o combustível na Argentina está mais caro que no Brasil. Fui mesmo uma surpresa.  
Como é insistentemente dito por todos aqueles que viajam pela Patagônia, aqui tudo é muito grande, muito forte e muito intenso. Para mim as duas grandezas que mais impressionam é o vento e o silêncio. Pode parecer contraditório, já que o vento faz barulho notável. Mas quando o vento cessa ou a encontramos um bom abrigo, o silêncio se agiganta e encanta. Penso que alguém que tenha nascido ou que esteja há muito tempo por aqui tenha dificuldade de viver em outro lugar. É um luxo e um conforto que só experimentando para saber.
Por fim, comento que penso que está tenha a viagem mais conversada de todas que eu já fiz. Me dediquei a isso. Um café nunca foi só um café, foi um pretexto para uma "charla" de pelo menos meia hora. Segui a risca o ditado sobre tempo e pressa nestes rincões.
O maior trecho de terra nesta rota bimodal concluímos hoje. A partir de amanhã o trajeto maior será em barcaças. Estamos a dois dias de concluir a Carretera Austral e realizar mais sonho.
Sem qualquer pretensão de dar uma pálida ideia do que vimos, seguem algumas fotos (aproveitando a internet).